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  • Book
  • Portuguese(Português)

  • Author
  • Country
    Republic of Korea
  • Publisher
  • Published Year
    2009
  • Genre
    Literature - Korean literature - Contemporary poetry

Title/Author/Genre

  •  

    Title: Chiclete Rights Sold

    Author: Kim Ki-taek

    Genre: Poesia

     

    LTI Korea staff: Shin Minkyung (holaminky@klti.or.kr / +82-2-6919-7748)

     

    The copyright of this title has been sold. (Translation and publication supported by LTI Korea)

Description

  • About the book

    “Chiclete” é o quinto livro de poesias de Kim Ki-taek e o primeiro a ser publicado depois de o poeta se desligar definitivamente da empresa onde trabalhava para se dedicar integralmente às letras. O livro traz 56 poemas, como “Panceta de porco”, “Matar um gato”, “Coceira”, “Velho subindo as escadas”, “De frente para um enorme plátano”, “Chiclete”, “Comer minipolvo vivo”, “Peixe assado”, “Motocicleta e cachorro”, “O melhor é ter saúde”, “Poeira amarela”, entre outros. Talvez por isso, o seu olhar sobre o cotidiano, os objetos e os acontecimentos parece ter ganhado uma perspectiva ainda mais intrincada e ponderada, e suas descrições e metáforas, absolutamente peculiares, parecem estar impiedosas a ponto de causar calafrios. É possível perceber que é através delas que o seu universo poético se expande e o seu raciocínio poético ganha profundidade ainda maior.

     

    Um chiclete jogado já mascado por alguém. / Chiclete onde restam marcas claras de dente. / Chiclete encerrado em tantas marcas de dente, / Inumeravelmente cravadas de novo e de novo / Sobre marcas já cravadas / Tendo-as amassado, camada a camada, dentro do seu diminuto corpo / Sem jogar ou apagar nem uma que seja

    Compactando todas elas numa massa, pequena e redonda, / (…) / Chiclete que brincava com o sangue, a carne e o cheiro nauseante / Com o seu toque macio como pele

    Com a sua textura glutinosa como carne / Com a sua elasticidade gelatinosa, feito pernas e braços abanando-se embaixo dos dentes / Revivendo a lembrança da carnificina remota já esquecida pelos dentes. / Chiclete que suportava com o corpo inteiro / Todo o desejo de carnificina e hostilidade impregnado nos dentes pela história do planeta. / Chiclete largado a contragosto / Pelos dentes a se cansarem primeiro / Ao fim de tanto espremer, macerar, dilacerar. (Trechos de “Chiclete”)

     

    O poema-título representa bem o clima desta coletânea. O eu-poético de Kim Ki-taek refuta a subjetividade e o ponto-de-vista humanos. Sendo assim, rejeita, por completo, a violência da subjetividade inerente a uma afobada objetivação do eu-lírico, frequentemente cometido em poesia. Em vez disso, o poeta depõe tão e somente na posição das coisas e do objeto poético. Em outras palavras, caracterizações subjetivas e comparações cômodas alheias à natureza inata do objeto poético passam ao largo da poesia de Kim Ki-taek, pois trata-se de um poeta que se posta junto à paisagem e ao seu objeto. Por isso a inversão do ponto-de-vista na qual “um chiclete jogado já mascado por alguém” se converte em “chiclete largado a contragosto / Pelos dentes a se cansarem primeiro”. As descrições minuciosas que fazem operar tal inversão desmantelam completamente a percepção do senso comum de todos nós. O chiclete, instrumento de assepsia bucal (Nota: este é o conceito usual dos coreanos, especialmente após o advento dos chicletes com xilitol), acaba evocando a “memória da carnificina” e o “cheiro nauseante de sangue e carne” inerentes aos humanos, mas deliberadamente ignorados, e, ao final, chega a reavivar “todo o desejo de carnificina e hostilidade impregnado nos dentes pela história do planeta”, dissecando-o impiedosamente.

    Seguindo a linha de pensamento do poeta, as suas descrições dos objetos e a sua forma de qualificar as coisas, acabamos por compreender que estamos, surpreendentemente, muito perto das incontáveis violências, das feridas que a paisagem e os objetos guardam e do âmago das coisas e dos fenômenos. Relembramo-nos de que vivemos em um cotidiano em que a natureza inata dos objetos e das próprias pessoas foi aniquilada.

    Sem a menor dúvida, as metáforas e o senso agudo do poeta acompanham a sua linha de pensamento do início ao fim, emprestando a esta coleção de poemas uma rara uniformidade. A capacidade do fazer poético de Kim Ki-taek é comprovada pela manutenção dessa qualidade sem peças francamente irregulares. A poesia de Kim Ki-taek é um retrato do homem contemporâneo com suas minuciosas linhas de expressão e, ao mesmo tempo, uma flechada no ponto fulcral desse homem. Ler a sua poesia, portanto, se torna “uma das maneiras mais eficazes e libertinas de mascar os tempos de hoje, caóticos e tacanhos sem igual”.

     

    About the author

    Kim Ki-taek nasceu em 1957 na cidade de Anyang, província de Gyeonggi, Coreia, e estreou como poeta em 1989, quando seus poemas “O Corcunda” e “A seca” foram premiados no concurso anual de poesia realizado pelo Diário Hanguk. Publicou “Chiclete” (traduzido para o espanhol em 2013), “O sono do feto”, “Tempestade no buraco da agulha” (traduzido para o japonês em 2014), “O funcionário de colarinho branco”, “O boi” e “De rachadura em rachadura”. Também traduziu várias obras infantis estrangeiras, entre eles, “O flautista de Hamelin”. Já há algum tempo, o poeta vem recebendo destaque da crítica pelo seu universo poético singular, que, com uma retórica racionalizada e áridas descrições, desconstrói a paisagem e os fenômenos.

    Colecionou praticamente todos os prêmios literários mais importantes do país, entre eles o Prêmio Literário Kim Suyeong (1995), Prêmio de Literatura Contemporânea (2001), Prêmio Literário Isu (2004), Prêmio Literário Midang (2004), Prêmio Literário Jihun (2006), Prêmio Literário Sanghwa (2009), Prêmio Literário Gyeonghee (2009) e Prêmio Literário Pyeon-un (2013). Em 2007, foi convidado para o programa de residência para autores coreanos, num convênio firmado entre a Fundação Daesan e a UC Berkeley, EUA.

     

    About the translators

    Yun Jung Im é professora do curso de Língua e Literatura coreana da Universidade de São Paulo. Já traduziu obras importantes da literatura coreana para o português, com destaque para o “Olho de Corvo e outras obras de Yi Sang” (Perspectiva, 1999) e “A Vegetariana” (Devir, 2013), com as quais ganhou o Prêmio Coreano de Tradução Literária, em 2001 e 2014, respectivamente.

    Media Response/Awards Received

    Prêmios Literários

     

    Ao ler “Chiclete”, deparamo-nos com uma vida até então desconhecida, ou deliberadamente ignorada, ou, ainda, um tanto e pretensamente embelezada. E então, descobrimos o quanto aquelas observações, cruéis, meticulosas e áridas constituem a interpretação mais rica e bela, passada pelo crivo do seu olhar.

    - Diário Munhwa

     

    Em “Chiclete”, o mundo está assentado sobre o princípio da violência. Poemas como “Panceta de porco”, “Comer minipolvo vivo”, além do poema-título “Chiclete”, revelam a resistência passiva dos fracos – objeto da violência do mascar – sob a máscara da impotência e o paradoxo de provocar a reflexão e a salvação do forte.

    - Diário Hangyeore

     

    Nesta coleção de poemas, o poeta esmiúça, com o seu olhar implacável e obstinado, não somente a morte que respira impregnada ao corpo, mas até os atos de morte praticados em nome da vida.

    - Diário Dong-Ah

     

    A estética poética de Kim Ki-taek se mantém inalterada nesta nova coleção de poemas: fundada sobre a esmerada capacidade de observação da qual não escapa nenhuma artéria capilar, nenhum nó de articulação óssea, à qual se soma a imaginação capaz de transformar algo minúsculo em um evento soberbo e um átimo de tempo em um tempo eterno.

    - Diário Hanguk

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